Hoje resolvi, de última hora, realizar um programa especial tocando só o novo CD do Radiohead, In Rainbows. Acredito que valeu a pena. No entanto, o album não é tudo o que eu esperava, mas foi interessante participar desse momento de novidade no mercado fonográfico. Espero que vocês gostem também. Amanhã o programa estará disponivel para download. Caso queiram ouvi-lo na rádio www.radiouniversitaria.com.br Às 11h da manhã e com reprise à meia noite. Enjoy.
Link para download: http://www.divshare.com/download/2304528-1de
Com cara de revolução, Radiohead lança ‘In rainbows’ nesta quarta
Shin Oliva Suzuki do G1, em São Paulo; Uma nova etapa no negócio da música pode ter início nesta quarta-feira (10): é o dia em que o Radiohead, nome de peso do pop, com milhões de cópias vendidas na carreira e ainda relevante para outros tantos milhões de pessoas, começa a disponibilizar seu trabalho pela internet ao preço que o fã ou qualquer interessado decidir. A quem se mostra descrente, o site oficial do Radiohead insiste: “Não, de verdade, [o preço] cabe a você”.O anúncio de “In rainbows”, sétimo álbum da carreira do grupo da cidade inglesa de Oxford, foi recebido com espanto pela forma de levar a música ao ouvinte. Agora, ao abrir mão da estrutura de uma gravadora (ao menos nessa primeira e mais importante fase de lançamento), a idéia da banda já tem cara de revolução. O site do quinteto liderado por Thom Yorke aumentou em 11 vezes o número de visitas e já é o mais visitado entre os dedicados à música no Reino Unido (antes estava na pouco sensacional 43ª posição), de acordo com medição do HitWise. O Google, por sua vez, diz que sua ferramenta de buscas registrou dez vezes mais interesse no nome “Radiohead” nos últimos dias. Oasis, Jamiroquai e Nine Inch Nails, nomes em patamares de popularidade próximos aos do Radiohead, já se inclinam a um modelo de comercialização parecido. Além de apostar no esquema “quer pagar quanto?”, a banda vai vender um box com o disco no formato físico, um vinil duplo e um CD multimídia com sete faixas extras, letras, imagens e outros itens. O pacote terá o preço de 40 libras (cerca de US$ 80 dólares) e só será entregue próximo do dia 3 de dezembro. O CD normal só seria lançado em 2008 e aí sim entraria uma grande gravadora para distribuição e afins. No todo, dizem especialistas no negócio da música, há uma radicalização para os dois lados: o reconhecimento de que o valor da venda tradicional de um trabalho perdeu muito nos últimos seis anos (a explosão das redes de trocas de arquivo se deu em 2001) e o lado da aproximação maior com os fãs, que estão dispostos a pagar uma quantia superior por versões “deluxe” dos discos.
O próprio caminho Nome da era pré-download (o Radiohead lançou o primeiro disco em 1992), o grupo já havia resumido qual era a sensação de tomar o seu próprio caminho sem o poderoso auxílio de uma das grandes companhias do mercado musical (eles não renovaram o contrato com a Parlophone/EMI expirado em 2003): “É libertador e aterrorizante ao mesmo tempo”, escreveu o grupo em um comunicado. O G1 procurou Gilberto Gil, Pitty, Ivete Sangalo, Caetano Veloso, Zeca Pagodinho – artistas com nome estabelecido no mercado nacional, assim como o Radiohead no exterior – que alegaram problemas de agenda ou desconhecimento do assunto para comentar a iniciativa do grupo inglês e um possível paralelo desse modelo no Brasil. Mesmo com os temores naturais de um artista que tem algo a perder, o Radiohead segue uma trilha arriscada que tem paralelo com os seus discos. O quinteto começou com um grande sucesso no primeiro disco, a partir da popularidade da música “Creep”. Ainda no vácuo do sucesso do Nirvana, a faixa foi vendida como uma outra novidade quente do chamado “rock alternativo”. Os críticos não perdoaram, e o Radiohead foi malhado por muitos.
Mudanças A partir de “The Bends” (1995), as coisas começam a mudar. Público e imprensa se unem nos elogios a músicas como “Fake plastic trees”. “Ok Computer” (1997) inscreve o Radiohead na galeria dos grandes discos da história, a julgar pelas freqüentes listas de “melhores de todos os tempos no rock”, e vende mais de 4 milhões de discos no mundo inteiro.“Kid A” (2000) e Amnesiac” (2001) tomaram caminhos mais experimentais. Como resultado, fãs e críticos tiveram, em geral, opiniões que variavam do entusiasmo pelo risco que a banda estava correndo a de que o Radiohead estava se afastando do fã comum de rock para embarcar em um cabecismo para poucos. “Hail to the thief” (2003) não teve muitas mudanças em relação aos dois anteriores.“In rainbows” já tem várias de suas músicas conhecidas pelos fãs. O quinteto de Oxford apresentou quase todas as canções novas ao vivo, e versões de ótima qualidade estão largamente disponíveis na internet. Mas, claro, sempre é possível esperar uma ou outra surpresa. Sabendo que a banda segue uma trilha própria, que dificilmente se curva às demandas de fora, faz mais sentido a proposta atual da banda: cabe somente a você aceitar ou não entrar no universo do Radiohead.
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